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O problema de não haver um problema

Um certo dia, um jovem olhava o profundo do mar. Sem olhar e sem ver o que via, foi interrompido por um belo passarinho. De penas coloridas, pequeno no tamanho e delicado nas palavras, o passarinho perguntou ao jovem:
— Qual é o problema?
Pensativo e sem palavras, o jovem levantou o olhar do mar, voltou o rosto para o passarinho e de olhar singelo, disse:
—Esse é o problema. Para mim não há problema.
O passarinho, acomodou—se no ombro do jovem para escutar.
— Sabes passarinho, o problema é que não há problema. — respondeu o jovem. Não sei a que te referes. Estou vivo, respiro, falo, escuto, vejo, sinto, tenho dentro de mim o que necessito, por isso, não há problema mas todos me questionam, insistentemente, qual é o problema?! Terei que levar comigo, o problema dos outros? A forma como fazem as coisas ou como fariam se estivessem no meu lugar? Comunicar quando não quero, senão já há problema? Afinal, o que é isso?
Incrédulo e pensativo, o passarinho respondeu: — Não te sei responder.
Se para ti não há problema e não sabes o que isso é, talvez sejas feliz.
O jovem, movendo—se, olhando o céu e sentindo o som do mar, disse: — talvez seja feliz. Talvez faça por isso. Talvez respeite a natureza. Talvez não questione o que acontece, como acontece, quando acontece. Talvez a minha mente, o meu pensamento estejam completas de bem estar. Logo, para quê questionar o que acontece? Para quê convencer de que o mar é verde quando pode ser verde, azul, castanho? Para que fazer disso o problema? Para quê criar problema? Para quê?

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