Sou do tempo.... do meu tempo e deste tempo.
E neste tempo fiz contas ao tempo.
Sou do tempo de horários escolares em desdobramento. Iniciava as as 8h30m e terminava as 13h30m com 30 minutos de intervalo.
Contas feitas: eram 5h por dia na escola. De segunda a sexta feira perfazia um total de 25h.
Trazia trabalhos para casa? — sim.
Tinha tempo para brincar? — sim.
Os pais trabalhavam — sim.
Com quem ficava? — com os avós.
Esses avós: analfabetos ou com competências de leitura e escrita para a vida.
E ainda assim, a escola era agradável, os TPC moderados e muito relacionados com as competências essenciais para a vida, hoje designadas de aprendizagens significativas.
A escola era valorizada. A brincadeira também. E, creio poder dizer, que sempre senti prazer em aprender a aprender.
Hoje as crianças estão na escola das 8h às 17h. Podem ter atividades, tardes livres, outras tarefas e afazeres que lhes abrem horizontes de oportunidades.
Os pais trabalhavam? — sim, talvez mais horas, levando a casa para o trabalho e o trabalho para casa. Outros podem nem trabalhar, ou não ser escolarizados, refletindo os padrões dos avós do meu tempo.
Os avós? — ainda trabalham e já são alfabetizados. Não tem disponibilidade. Talvez estejam em áreas geográficas diferentes.
Há centros de estudo? — sim.
As dificuldades são as mesmas ou diferentes?
Os programas escolares alteraram—se. As crianças e as famílias assoberbadas de exigências, de responsabilidade s, sem tempo de ter tempo de saborear as aprendizagens, o gosto de cada conquista, de cada brincadeira.
Talvez possamos fazer contas à matemática e à vida. Contas as diferenças que ora se perpetuam ora se esbatem. Contas as contas da sociedade matemática. Contas as contas da importância das aprendizagens informais. Contas as contas do tempo sem tempo.
Teremos tempo de ter tempo para estas contas?
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