Num bonito dia de sol, talvez próximo do equinócio da primavera, dois amigos encontram—se num jardim: a Evidência e o Mistério.
Já tinham ouvido muitas histórias a respeito um do outro mas este poderia ser um dos poucos momentos em que se encontravam.
Todos os dias, pensavam e imaginavam o encontro entre ambos mas, no dia do encontro, as palavras não se soltavam e todos os ensaios pareciam ter sido em vão.
A Evidência disse ao Mistério: — agora que nos conhecemos, perdeste a tua identidade, terminaste com a magia, afinal, já não há mistério.
O Mistério respondeu: — agora é que posso encontrar a minha identidade: quem sou, o que quero, para onde vou. Encontrei—te, Evidência. Agora posso, com as tuas evidências, conhecer os meus mistérios.
Num ápice, a Evidência retorquiu: — pensava que eras um mistério para o mundo e para as evidências. Pensava que o Mistério se conhecia e que não necessitasse de evidências.
— No mundo atual, — reagiu o Mistério — o Mistério parece estar em extinção, existindo mais valores e dando—se mais valor a todas as evidências.
— Dizes—me que este mundo atual é meu e para mim? Como se fossem os meus tempos de glória? — questionou a Evidência.
— Não sei bem. — afirmou o Mistério fazendo mistério.
Após algum silêncio, o Mistério prosseguiu: — Sabes Evidência, já vivi muito..... e só sei viver no Mistério mas diariamente lido com evidências.
Pensativa, a Evidência verbalizou: — eu também lido com o mistério, a todo o momento.
— Poderiamos fazer um acordo, — ecoaram em coro.
Foi então que a Evidência propôs, — Podíamos viver a evidencia em mistério e viver o mistério com evidências partilhando entre nós as evidências dos mistérios e os mistérios das evidências.
Ao que o Mistério, após alguns instantes em silêncio misterioso, disse: — Os mistérios concretizamos com evidências e as evidências guardamos no mistério.
Com a evidencia deste mistério, a Evidência exclamou: — Oh Mistério, afinal também tens as tuas evidências.
E também tu, Evidência, tens o teu mistério. — concluiu o Mistério.
Sou do tempo.... do meu tempo e deste tempo. E neste tempo fiz contas ao tempo. Sou do tempo de horários escolares em desdobramento. Iniciava as as 8h30m e terminava as 13h30m com 30 minutos de intervalo. Contas feitas: eram 5h por dia na escola. De segunda a sexta feira perfazia um total de 25h. Trazia trabalhos para casa? — sim. Tinha tempo para brincar? — sim. Os pais trabalhavam — sim. Com quem ficava? — com os avós. Esses avós: analfabetos ou com competências de leitura e escrita para a vida. E ainda assim, a escola era agradável, os TPC moderados e muito relacionados com as competências essenciais para a vida, hoje designadas de aprendizagens significativas. A escola era valorizada. A brincadeira também. E, creio poder dizer, que sempre senti prazer em aprender a aprender. Hoje as crianças estão na escola das 8h às 17h. Podem ter atividades, tardes livres, outras tarefas e afazeres que lhes abrem ...
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