Chamemos-lhe Matilde ou Martim. Nomes da Moda.
Entre as suas histórias e estórias podem ficar confusos e surpreendidos.
Naquele dia, um dia como todos os outros a dor que dói era menor que a dor que dói e não se vê! Mas, a dor que que não se vê tomou a sua coragem. Desafiou a dor silenciada no silêncio da confusão com o compromisso se continuar a silenciar o silêncio.
E foi assim que reagiu.
Naquele minuto, naquele segundo, naquele milésimo de segundo. Aquela dor do Martim ou da Matilde que tomou conta deles. Solitários, cada um no seu lugar, no segredo do secreto lugar do seu silêncio. Foi ali que deixaram as marcas, naquele instante. As marcas no seu corpo, num braço, numa perna, ou noutra parte de si, naquela parte que parece não ser de ninguém, naquela parte perdida, oculta. Aquela dor, doeu sem doer. Sofreu sem sofrer. Lacrimejou sem lacrimejar. Apelou sem apelar. Falou sem falar. Tudo fez sem fazer, fazendo que fazia! Fora ali, a primeira vez!
Aquela dor que dói sem doer, que se mostra de tanto se esconder. Aquela dor que se esconde para se ver. Que se oculta para ser descoberta. Que cobre o que não quer encobrir.
Nada aconteceu.
Apenas permaneceu. Ali. Naquele lugar, no meio de lugar nenhum. Ali, em todo o lado. Aos olhos de todos e de ninguém!
E assim sendo, numa e outra vez, repetidamente, em breves instantes, naquele impulso, naquele lugar, a dor que dói sem se ver volta a marcar. Uma e outra vez! Duas e outras vezes! Três e outras vezes! Está tudo lá! A moda de moda alguma! Aquelas marcas e etiquetas que são apenas tatuagens. Marcas de autor, de momentos passados, presentes. Reflexos de outras dores que continuam a gritar que não doem. Momentos da Matilde ou do Martim. Momentos da Matilde e do Martim entre eles. Momentos da Matilde e do Martim para com os outros de todos os lugares e lugar nenhum.
- Que se passa?
- Nada. Simplesmente, nada!
E do nada, tudo acontece! Todas as marcas e sinais (in)visíveis, (in)sensíveis.
Naquele dia, naquele lugar, aquela dor mostra-se! Acidente? Descuido? Talvez sim, ou talvez não!
Talvez aí, nesse momento a dor que não dói passe a doer!
Talvez o Martim e a Matilde possam escutar essa dor que não dói. Ter o tempo para lhe dar tempo. Ter tempo de sentir essa dor que agora dói. A dor que clama. Aquela dor que se transmuta agora, naquele instante, em algo de cada um deles, daqueles que estão à volta, daqueles que são todos e ninguém.
O olhar para a dor e para as marcas. Cuidar de cuidar delas. Cuidar dos outros e não da Matilde ou do Martim! Eles são "fortes" e cuidam de todos. E deles quem cuida? Podem eles cuidar? Cuidar de sentir. Ter tempo de chorar e de transformar as marcas em algo notável para cada um. Ter tempo de cuidar das marcas da humidade das lágrimas não choradas, de pintar as paredes manchadas, de colorir a casa e lá colocar tudo o que possa fazer sentido, no sentido que cada um lhe dá! Terão tempo e disponibilidade de fazer as obras necessárias para reerguer a sua casa, o seu corpo, a sua vida?
Talvez o "milagre" aconteça, a partir daquele dia!
Transformam, transformam-se! Vive-se com a dor que agora dói!
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