Aquela era a roda gigante mais maravilhosa que já vira. Uma vezes com luz e bem iluminada. Outras vezes escondida, oculta na escuridão e sombra. Talvez acompanhasse as mudanças do tempo, do dia e da noite e cumprisse todos os ritmos circadianos.
Em alguns momentos partilhava viagens com outras iguais e diferentes de si. Vislumbrava e experimentava sensações únicas e especiais, e em alguns momentos também assim se sentia. Nas viagens mais longas vislumbrava mundos mais distantes, de sonhos, de ideais, de possibilidades. Noutros momentos vislumbrava o que está mais próximo e mais eminente.
Diversificada de experiências, conhecimentos e saberes era fácil falar disto ou daquilo. Ainda assim, era ali que ela estava, fixa, parada, imóvel! A acompanhar a atualidade nacional e internacional, a comunicar e explorar a partir dali.
Por vezes sonhava conhecer novos mundos, mas receava que esses não correspondesses aos ideais e expetativas. Por vezes sonhava ir mais além levando consigo todo o chão que a fixa, tudo o que lhe confere a sua existência, a sua identidade. Os vínculos são fortes!
Vivia ali, Vivia a partir dali. Não partindo para lugar algum sem partir. Partindo sem partir para aqui ou ali. Ali estava, naquela perspetiva, naquela posição, naquela vida. A mesma que lhe toma todo o seu tempo, a mesma que emaranha o tempo que o tempo tem e que todo o tempo não tem. Aquela que emaranha sem emaranhar. Aquela que só roda quando quer rodar. Aquela que fixa ali, que viaja aqui e acolá, que vai e vem, que roda, roda e volta a rodar, aquela que roda até sem saber que roda, aquela que parece viver a vida sabendo que (não)vive. A mesma que quer fazer diferente sem fazer a diferença de fazer diferente!
E assim sendo, mesmo percebendo que, quer queira quer não queira, roda e o tempo passa pode escolher assim permanecer, alimentando o que (não) se espera, na iminência de um dia descobrir que aquele tempo de ter tempo já passou, mesmo que em todo o tempo seja o tempo.
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