Era mais um dia, igual e diferente de todos e tantos outros. Maria ou Manel, naquela manhã, espelhava no rosto a carga de uma noite mal dormida. Uma noite a resolver tudo o que já fez e vai fazer. Uma noite partilhada com todos momentos, pessoas, lugares, sentimentos que ocuparam o seu pensamento. Naquela manhã, de semblante carregado, os pensamentos, decisões e resoluções noturnas haviam desaparecido. Instala—se o pensamento de não ter dormido, não ter aproveitado aquela única noite, e perceber que muito se fez e nada fez. Na correria matinal, com a carga interior espelhada em todo o lado, Manel ou Maria, pega no casaco e fica com mais carga, de tudo e de nada, de uma vida, daquele momento. A postura altera—se mais ainda. As costas curvam ou ficam mais retas para suportar a carga que carrega. Respira fundo para suportar ou aliviar a carga e a tensão. Volta a respirar fundo e, sem sair de casa, vive o dia mesmo antes de...
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